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UVA: o raio que envelhece em silêncio

UVA: o raio que envelhece em silêncio

Entenda como a radiação UVA penetra profundamente na pele, acelera o envelhecimento precoce e por que ela é um dos maiores inimigos invisíveis da sua saúde cutânea.

 

Introdução: quando o sol deixa marcas invisíveis

 

Nem todo dano solar se anuncia com ardência ou vermelhidão. Às vezes, ele é silencioso — e justamente por isso, mais traiçoeiro. A radiação UVA, embora menos falada do que a UVB, é a principal responsável pelo **fotoenvelhecimento**: o desgaste crônico da pele causado pela exposição acumulada à luz solar.

Enquanto os raios UVB agem na superfície, causando queimaduras solares, os **raios UVA penetram profundamente na derme**, danificando fibras de colágeno, desencadeando processos inflamatórios e acelerando a degradação celular. E o mais alarmante: **eles estão presentes o ano todo, mesmo em dias nublados, e atravessam vidros e janelas**.

Neste artigo, vamos explorar como a radiação UVA afeta a pele, por que seu impacto é cumulativo e silencioso, e como se proteger de forma eficaz e consciente.

O que é a radiação UVA?

A radiação ultravioleta (UV) emitida pelo sol se divide em três tipos principais:

  • UVC: bloqueada pela camada de ozônio, não atinge a superfície terrestre.
  • UVB: atinge as camadas superficiais da pele, causando queimaduras e vermelhidão.
  •  UVA: penetra profundamente na pele, atingindo a **derme**, onde estão o colágeno, elastina e matriz extracelular.

Os raios UVA representam **cerca de 95% da radiação UV que chega até nós** (Diffey BL, 2002) e estão presentes com intensidade constante durante todo o dia, independente da estação ou da temperatura.

Como os raios UVA afetam a pele?

A principal característica da radiação UVA é sua **capacidade de penetrar profundamente** nas camadas da pele. Isso desencadeia uma série de reações nocivas a longo prazo:

1. Degradação do colágeno e elastina

A exposição crônica aos raios UVA estimula a produção de **metaloproteinases de matriz (MMPs)** — enzimas que degradam o colágeno e outras proteínas estruturais da pele (Fisher et al., 1997).

2. Geração de radicais livres

Os raios UVA induzem a formação de **espécies reativas de oxigênio (ROS)**, que danificam células, proteínas e lipídios. Esse estresse oxidativo contribui para inflamações silenciosas e mutações celulares.

3. Danos no DNA

Embora os raios UVA tenham menor energia do que os UVB, eles **atingem o núcleo celular** e causam danos indiretos ao DNA, especialmente por meio da oxidação da guanina (8-OHdG), uma lesão associada a mutações (Rünger TM, 2007).

4. Pigmentação e manchas

Os raios UVA estimulam a melanogênese de forma desequilibrada, favorecendo o aparecimento de **melasmas, manchas solares e hiperpigmentações persistentes** (Moyal D., 2010).


O envelhecimento silencioso: quando os efeitos se acumulam

O UVA não provoca dor imediata, nem altera visivelmente a pele em um primeiro momento. Mas seus efeitos são **acumulativos** e muitas vezes **irreversíveis**. Estudos mostram que até **80% do envelhecimento cutâneo visível está relacionado à exposição solar crônica**, sendo o UVA o principal responsável.

Com o tempo, a pele exposta sem proteção adequada desenvolve:

- Perda de firmeza e elasticidade;
    
- Rugas profundas e linhas de expressão;
    
- Textura irregular e espessamento cutâneo;
    
- Poros dilatados;
    
- Tom amarelado ou acinzentado;
    
- Manchas escuras e lentigos solares.
    

Esse processo é chamado de **fotoenvelhecimento** e é diferente do envelhecimento cronológico, pois pode ser **acelerado ou retardado** de acordo com os cuidados adotados.


Filtro solar: o verdadeiro escudo contra o UVA

Nem todo filtro solar protege contra o UVA. Muitos produtos se concentram apenas no **FPS (fator de proteção solar)**, que indica proteção **contra os raios UVB**.

Para garantir uma defesa eficaz contra o envelhecimento, é essencial que o filtro solar ofereça **proteção UVA** também.

 

Como identificar?

- FPS alto não significa proteção UVA alta**. Verifique se há o selo **“PA+++ (classificação asiática) ou o **“PPD”** (Persistent Pigment Darkening).
    
- No Brasil, busque o UVA, a Anvisa exige **pelo menos 1/3 da proteção do FPS contra os raios UVA**
    
- Prefira protetores com **óxido de zinco, dióxido de titânio que são naturais e não comprometem sua saúde ou o meio ambiente.
    

UVA atravessa nuvens, janelas e vidros

Ao contrário da UVB, que varia com a hora do dia e a estação do ano, a radiação UVA se mantém **relativamente constante das 7h às 18h**, inclusive em dias nublados e ambientes fechados.

Ela **atravessa vidros comuns**, como janelas de casa, carro e escritório. Isso significa que mesmo sem sair de casa, sua pele pode estar exposta ao UVA diariamente — e sofrendo os efeitos do fotoenvelhecimento silencioso.

E a luz azul?

A luz visível de alta energia (HEV), também chamada de **luz azul**, está presente em telas digitais (celulares, computadores, TV). Embora não seja tecnicamente UVA, ela **atua de forma semelhante**, estimulando radicais livres e pigmentação, especialmente em peles mais escuras.

Hoje, já existem **filtros solares com proteção contra luz azul**, além de ativos antioxidantes como **niacinamida, vitamina C e extrato de cacau** que ajudam a neutralizar esses efeitos.


Antioxidantes: defesa complementar à fotoproteção

Além do filtro solar, a pele se beneficia muito do uso de **antioxidantes tópicos**, que neutralizam os radicais livres formados pela exposição ao UVA.

Os mais eficazes:

- Vitamina C: protege o colágeno, uniformiza o tom e regenera a vitamina E oxidada.
    
- Vitamina E: protege as membranas celulares lipídicas.
    
- Polifenóis vegetais: presentes no chá verde, romã, uva, cacau.
    
- Niacinamida: fortalece a barreira cutânea e reduz inflamações.
    
- Astaxantina e coenzima Q10: antioxidantes potentes com ação comprovada contra fotoenvelhecimento.
    

Esses ativos podem ser aplicados em séruns ou cremes antioxidantes, preferencialmente pela manhã, **antes do protetor solar**.

E por dentro? A fotoproteção nutricional

A alimentação também influencia na resistência da pele à radiação UVA. Uma dieta rica em **antioxidantes naturais** ajuda a fortalecer o sistema imunológico cutâneo.

 

Inclua no seu prato:

- Frutas vermelhas, uvas roxas, ameixa (ricos em antocianinas);
    
- Tomate, melancia, goiaba (ricos em licopeno);
    
- Vegetais verdes escuros (ricos em luteína e zeaxantina);
    
- Oleaginosas, sementes, azeite (fontes de vitamina E);
    
- Cúrcuma, chá verde e cacau (anti-inflamatórios naturais).
    

A ciência confirma: UVA envelhece silenciosamente

> “A exposição crônica à radiação UVA causa mudanças estruturais profundas na pele, incluindo degradação do colágeno, dano mitocondrial e alterações epigenéticas relacionadas ao envelhecimento.”  


 Kligman LH et al., 1982. Photoaging: Histologic features of chronic solar damage.

 “A radiação UVA induz danos no DNA principalmente via mecanismos oxidativos indiretos, contribuindo para mutações, envelhecimento e risco aumentado de câncer cutâneo.”  
 Rünger TM. (2007). How different wavelengths of the ultraviolet spectrum contribute to skin carcinogenesis.

 “O fotoenvelhecimento é o resultado cumulativo da exposição à radiação UVA ao longo da vida — e pode ser significativamente retardado com uso contínuo de fotoproteção adequada.”  
Gilchrest BA. (1996). A review of skin aging and its medical therapy.

 

Como se proteger de verdade do UVA

- Use protetor solar **todos os dias**, mesmo em casa ou em dias nublados.
    
- Reaplique o protetor a cada **2 a 3 horas**, especialmente se estiver sob luz solar direta.
    
- Prefira fórmulas com **proteção UVA clara no rótulo**.
    
- Use **barreiras físicas**: chapéus, óculos escuros, roupas com proteção UV.
    
- Aplique **antioxidantes tópicos diariamente**.
    
- Alimente-se de forma colorida, variada e rica em vegetais.
    
- Evite exposição solar direta entre 10h e 16h.

    

Conclusão: o sol é vital, mas a consciência é essencial

A radiação solar faz parte da vida — e até pode ter efeitos positivos, como a produção de vitamina D. Mas a **exposição crônica sem proteção consciente**, especialmente à radiação UVA, compromete a saúde e a beleza da pele de forma profunda e silenciosa.

Entender esse processo é o primeiro passo para escolher melhor, cuidar com propósito e proteger não só a aparência da pele, mas sua estrutura, sua vitalidade e seu futuro.

Proteger-se do UVA é um ato de autocuidado com visão de longo prazo. E a sua pele agradece — hoje, amanhã e daqui a 10 anos. 

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